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O dilema do setor produtivo brasileiro

  • 23 de mar.
  • 3 min de leitura

A situação do setor produtivo no país está sempre em estado de alerta e expectativa. No agro, há sempre a preocupação com os resultados da atividade, que fica dependente de terceiros: do mercado, do tempo, do governo e da política internacional, que acabam atingindo a todos, embora poucos reconheçam isso.


Atualmente, novos problemas afetam todo o setor produtivo. Não apenas o agro e o cooperativismo, mas as atividades econômicas de modo geral. Decisões políticas e governamentais, ao invés de contribuírem para a segurança das atividades econômicas, com frequência prejudicam aqueles que movimentam a economia, que garantem empregos, geram tributos para manter a máquina pública — inclusive dos políticos — e também os programas sociais de um governo excessivamente paternalista.


Um governo que toma medidas de caráter social, sem preocupação com a geração de receitas para que isso possa ser viabilizado, muitas vezes por interesse unicamente eleitoreiro. A grande mídia, que poderia ser canal indutor para conscientizar os governantes de que não se pode matar a galinha dos ovos de ouro, ao contrário, valoriza exageradamente as ações sociais, sem preocupação com o futuro dos nossos filhos e netos, desde que garanta “o seu”, fazendo valer aquela prática: “se a farinha é pouca, meu pirão primeiro”.


Isso é lamentável, porque a cada dia se veem mais decisões assistencialistas, pensando no imediatismo e nas próximas eleições. Ninguém em sã consciência é contra ajudar quem precisa. Mas, daí a manter as pessoas eternamente presas pela boca, com objetivos eleitorais, é, sem dúvida, dar um tiro no pé para o futuro de uma nação.


Um governo que se preze tem que estimular o emprego, a produtividade e a satisfação das pessoas com o trabalho, e não o estímulo à ociosidade. A mais recente iniciativa que estimula o não trabalho tramita na esfera política, com apoio do governo: é a proposta de redução da jornada de trabalho.


Querem reduzir as horas semanais de trabalho sem reduzir o salário. Isso significa transferir custos ao setor produtivo, que tem batalhado para garantir empregos, enquanto os impostos já consomem grande parte dos resultados. Embora no Brasil já haja estudos que comprovam que a jornada média de trabalho é de 38 horas semanais, e quem trabalha mais o faz devido à necessidade da atividade — como ocorre no setor agrícola, cooperativista e agroindustrial —, todos têm assegurados seus direitos trabalhistas diferenciados.


Agora querem oficializar, de forma unilateral, uma jornada reduzida, sem discutir com as partes interessadas, ou seja, empregados e empregadores. Pretende-se impor essa medida por decisão política. Trata-se de uma proposta extremamente eleitoreira, às vésperas de eleições.


Não estão reconhecendo que já falta gente para trabalhar em todas as áreas, devido ao excesso de assistencialismo que incentiva a não trabalhar. Por outro lado, uma eventual redução da carga horária implicará aumento dos custos finais dos produtos e elevação da inflação.


Ademais, essa medida colocará os parlamentares em situação delicada: se votarem contra, terão reação dos trabalhadores; se votarem a favor, enfrentarão a reação dos empregadores e impactos na economia do país.


As entidades do agro de Santa Catarina já fizeram um manifesto oficial demonstrando o quanto essa medida é prejudicial para o setor, caso seja aprovada.


Portanto, a expectativa é de que esse assunto seja arquivado. Do contrário, quem pagará a conta será a população, pois não existe almoço grátis. Se os custos aumentarem, serão repassados ao consumidor final.


Senhores e senhoras eleitores: fiquem atentos. Se os parlamentares votarem a favor dessa medida antes das eleições, é hora de dar o troco no voto. Pense nisso.


Fonte: Fecoagro

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