Open Finance: entenda por que você deveria usar agora
- 16 de mar.
- 3 min de leitura

No Mês do Consumidor, especialista em finanças explica como sistema reforça poder de negociação e pode baratear juros
Rio de Janeiro - Imagine chegar a um banco que nunca ouviu falar de você e, logo na primeira conversa, já conseguir a mesma taxa de juros que um cliente antigo levou anos para conquistar. Parece vantagem demais? A lógica por trás do Open Finance — sistema criado pelo Banco Central para permitir o compartilhamento de dados financeiros entre instituições — abre espaço para situações como essa, ainda desconhecidas por grande parte dos brasileiros.
Superintendente de Crédito e Cobrança do Sicoob Cecremef, George Alberto Fernandes Figueiredo explica que o Open Finance aumenta as possibilidades de crédito ao permitir que o consumidor compartilhe seu histórico financeiro entre diferentes instituições, de forma segura, controlada e voluntária. Em outras palavras: dados de conta corrente, investimentos, limites de crédito e histórico de pagamentos deixam de ficar restritos a um único banco e passam a poder ser usados pelo cliente para buscar melhores condições em outras instituições.
“O objetivo principal do Banco Central era justamente gerar competitividade entre as instituições financeiras. Isso faz com que os bancos tenham de se esforçar mais para manter aquele cliente, e isso é ótimo para o consumidor”, explica o especialista.
Com o sistema, o consumidor pode disponibilizar seu histórico financeiro para, entre outras coisas, comprovar a capacidade e comprometimento financeiros para honrar os seus débitos, encurtando etapas no relacionamento com a instituição, o que normalmente levaria anos. Na prática, isso pode resultar em benefícios como a oferta de taxas mais competitivas logo no início das operações.
Um histórico transparente também pode garantir melhores prazos de pagamento e modalidades de crédito. Segundo Figueiredo, em financiamentos imobiliários de longo prazo, um perfil financeiro bem documentado pode valer mais do que simplesmente ter renda alta.
Além disso, há outros benefícios, como a possibilidade de o consumidor visualizar todos os seus dados pelo aplicativo do próprio banco — como saldos, extratos e limites de outras instituições — em uma única tela. “Você começa a ter um raio-x de tudo que está disponível no mercado”, explica o superintendente. “Quem tem mais limite disponível do que débito demonstra saúde financeira, e o sistema registra isso”, aponta
Com o acúmulo de dados sobre comportamento financeiro e ausência de sinistros, o consumidor também pode passar a receber ofertas de seguro de forma proativa. “Em vez de você correr atrás das seguradoras, elas vêm atrás de você”, completa Figueiredo, destacando a segurança do sistema. “É mais perigoso deixar os dados do seu cartão de crédito gravados em uma conta de e-commerce ou streaming. O Open Finance opera com biometria, reconhecimento facial, senha e autenticação de origem, camadas de proteção que muitas plataformas digitais não oferecem.”
E quem já teve o nome sujo?
Um ponto que muitos consumidores desconhecem: o Open Finance não é uma ferramenta exclusiva de quem tem histórico financeiro impecável. Figueiredo é enfático: “O consumidor não deve temer o sistema.” Quem renegociou dívidas, pagou parcelamentos atrasados ou já passou por restrições pode transformar esse histórico de recuperação em um argumento positivo. A adimplência registrada ao longo do tempo favorece uma análise de crédito mais justa.
Além disso, ao contrário do que muitos temem, o sistema não expõe dados para o mercado de forma indiscriminada. O compartilhamento é feito apenas entre instituições financeiras reguladas, mediante autorização explícita do titular, e pode ser revogado a qualquer momento. “Os próprios aplicativos dos bancos lembram o usuário quando um compartilhamento está prestes a vencer”, explica o superintendente.
Como aderir: passo a passo
Todo o processo é feito exclusivamente pelo aplicativo do banco ou cooperativa — por questões de segurança e rastreabilidade. Nenhuma ligação telefônica ou atendimento presencial é necessário (nem recomendado). Veja como fazer: Acesse o aplicativo do seu banco ou cooperativa com sua biometria ou senha habitual. Localize o menu de Open Finance — normalmente dentro de “Configurações”, “Serviços” ou diretamente na tela inicial. Leia o resumo sobre quais dados serão compartilhados: conta corrente, investimentos, limite de crédito e histórico de transações. Selecione a instituição de destino — você pode buscar pelo nome ou pelo número da instituição no sistema. Além disso, pode determinar o período de compartilhamento dos dados da outra instituição.
Confirme a autorização. O aplicativo da instituição de origem abrirá automaticamente o da instituição de destino para validação e retornará ao final do processo. Pronto. O compartilhamento ficará ativo pelo período informado. Você pode revogar a qualquer momento no mesmo menu.
Fonte: Assessoria de imprensa – Dona Comunicação
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