O cooperativismo catarinense mais próximo da política
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Por Ivan Ramos
Estamos em um ano eleitoral no Brasil e, como tal, o cardápio do dia a dia, em qualquer ambiente, é discutir política. Embora estejamos atravessando um momento delicado, devido ao radicalismo de ambasas partes — da direita e da esquerda —, não temos como ignorar que a política é importante em um país democrático, desde que participemos de forma civilizada, um respeitando a opinião do outro e pensando no coletivo.
A política não existe para gerar inimigos. Adversários, sim, e isso é salutar, mas precisa ser tratada com P maiúsculo. As acusações, as mentiras, as fake news, as agressões e aspromessas inexequíveis devem ser evitadas, embora se entenda que, dependendo do temperamento e da índole de cada um, as discussões podem até levar às vias de fato. No setor cooperativista, observa-se que há certa moderação nas discussões políticas. Tem gente que até acha que há necessidade de ser mais incisivo, mais firme nas discussões dos temas políticos. Outros são comedidos e procuram não se expor, uma vez que no quadro de associados e funcionários das cooperativas existem várias correntes partidárias e ideológicas.
Em SC, a Ocesc, seguindo a diretriz da OCB, está mais participativa nas discussões políticas a partir da gestão comandada pelo presidente Vanir Zanatta. A proposta do sistema cooperativista brasileiro é eleger maior número de representantes do setor, mas sem tomar lado partidário. O cooperativismo entende que dentro de todos os partidos existem bons quadros de pessoas identificadas com o setor e que podem contribuir na defesa dos cooperados, sem atritos.
É bem verdade que, à medida que se aproximam as eleições, as discussões se acirram e aparecem com maior evidência as linhas partidárias dos membros das cooperativas. Mas cabe às lideranças separar o joio do trigo: bons políticos de políticos interesseiros, com outras intenções. Eles existem a olho nu, tanto no Congresso Nacional como nas Assembleias Legislativas e no Poder Executivo.
Ao mesmo tempo em que devemos evitar disputas partidárias, não temos como deixar de dar nome aos bois: os candidatos. É muito vago dizer que devemos escolher candidatos que defendam o setor, sem citar nomes. Em épocas de eleições, todos se dizem defensores do agro e do cooperativismo. Todos assinam listas de adesão aos pleitos, mas, após as eleições, poucos permanecem ao lado do setor, defendendo suas pautas. Se quisermos escolher candidatos comprometidos, temos que ouvir as cooperativas e dar nomes para recomendar o voto. Do contrário, vamos atirar para todos os lados e não elegeremos ninguém. Alguém vai ficar descontente? Paciência. Não é possível agradar a todos. Temos que fazer escolhas. Não precisamos boicotar ninguém, mas também não adianta querer agradar a todos.
Portanto, o que se espera é que a estratégia coordenada pela Ocesc frutifique em resultados concretos, contemplando indicações de diversas regiões e de vários partidos, mas sendo clara quanto aos nomes.
Aqueles que já estão no poder, que conhecemos, temos maior facilidade de avaliar pelo desempenho. Os novos que se habilitarem certamente dirão o que pretendem defender para o setor, mas precisamos avaliar suas origens, seu comportamento na comunidade e identificar se estão alinhados com os nossos princípios.
Os facilitadores indicados pelas cooperativas e que fazem parte do grupo de mobilização nas eleições terão papel importante nessa conscientização, propagando no eleitorado aquilo que os candidatos pretendem defender na disputa política.
Se não assumirmos, de fato, quem devem ser nossos representantes, vamos ficar sempre a reboque dos outros. Pense nisso.
Fonte: Fecoagro
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