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Está na hora de definir o que plantar no verão

  • há 23 horas
  • 2 min de leitura

Por Ivan Ramos


Estamos entrando no segundo semestre deste ano. É hora de reavaliar como foram esses primeiros seis meses conturbados, rever orçamentos e, no campo, definir o que se pretende plantar na safra de verão.


O primeiro semestre foi complicado. As guerras provocaram insegurança no suprimento de fertilizantes e defensivos agrícolas. O petróleo descontrolou os custos de todo o processo produtivo, e o agricultor ficou em cima do muro, indefinido se iria plantar com esses custos, especialmente porque os preços dos grãos não acompanharam a alta dos insumos.


O mercado paralisou. Mas o calendário agrícola tem limites. Se vamos plantar, temos que definir agora, pois, em algumas regiões, o mês de agosto já marca o início da semeadura.


Diante da elevação dos preços dos insumos, muitos agricultores retardaram as compras. O mercado retraído provocou instabilidade nas importações de matéria-prima. Ninguém queria ficar com o mico de comprar com preços elevados e depois não vender, arcando com prejuízos em uma eventual queda de preços, como já aconteceu em safras passadas.


Infelizmente, no setor agropecuário é assim. Muitas vezes se deixa para a última hora, sempre esperando queda nos preços dos insumos e aumento nos preços dos grãos. E quase sempre isso não acontece.


O abastecimento de fertilizantes depende do mercado internacional. E os adubos não ficam simplesmente disponíveis nas prateleiras. Existe um processo de importação, logística, produção nas fábricas, armazenagem e distribuição, que demora no mínimo 90 dias para estar disponível ao agricultor.


Se perdermos o tempo da importação, os produtos podem não chegar em tempo hábil para o plantio. Por isso, recomenda-se que o agricultor não fique aguardando por preços muito baixos por tempo demais. Também é preciso se preocupar com o abastecimento. Pior do que preços altos é não dispor do produto.


Quer queiramos, quer não, não dá para plantar sem fertilizante. O que pode ser feito é adquirir os produtos aos poucos, formando uma média de custos. Também é importante procurar tecnologias que possibilitem maior produtividade, capazes de compensar preços elevados dos insumos e preços inadequados dos grãos.


Talvez seja a hora de considerar o uso de fertilizantes organominerais, que já comprovaram ganhos de produtividade.


Neste momento em que as compras precisam ser definidas, a relação de troca da ureia por milho, por exemplo, está mais atrativa. No início da guerra no Oriente Médio, para comprar um saco de ureia eram necessários quatro sacos de milho. Atualmente, são necessários cerca de 2,5 sacos. No caso dos fertilizantes formulados, a relação é de aproximadamente 3,8 sacos de milho para um saco de formulado.


Poderá melhorar? Sim. Mas também poderá piorar se faltar produto e os preços voltarem a subir. Portanto, é hora de definição. Ou o produtor corre o risco de pagar mais caro, ou pode enfrentar falta de adubo.


O agricultor precisa tomar decisões para que as cooperativas também se preparem com estoques. Se a definição demorar muito, não haverá mais tempo para importar e, consequentemente, poderá faltar produto, com consequências indesejáveis ao produtor.


Pense nisso.


Fonte: Fecoagro

Foto: Divulgação

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