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Abordagem em cirurgia cardíaca marca atendimento de alta complexidade no Hospital Unimed Chapecó

há 11 horas
3 min de leitura

Implante de prótese pulmonar biológica foi realizado pela primeira vez na instituição após planejamento que envolveu diferentes profissionais


Aos 39 anos, um paciente que nasceu com Tetralogia de Fallot e passou por uma cirurgia cardíaca ainda na infância precisou novamente de uma intervenção no coração. Desta vez, o tratamento envolveu a ampliação da via de saída do ventrículo direito e o implante de uma prótese pulmonar biológica, com um planejamento que considerou também possíveis necessidades cardiovasculares ao longo dos próximos anos.


Realizado pela primeira vez no Hospital Unimed Chapecó, o procedimento exigiu uma abordagem de alta complexidade por se tratar de uma reoperação cardíaca. Antes da entrada no centro cirúrgico, o caso também mobilizou profissionais de diferentes áreas em um Briefing Pré-Operatório, no qual foram discutidos riscos, estratégias e necessidades relacionadas às diferentes etapas da assistência.


Segundo o médico cirurgião cardiovascular e cooperado da Unimed Chapecó, Dr. Eduardo Menegat, uma das particularidades da abordagem adotada está no conceito de lifetime management, que considera as possibilidades de tratamento do paciente ao longo da vida. “Quando operamos um paciente, especialmente com cardiopatia congênita, não pensamos apenas na cirurgia de hoje. Planejamos também os próximos 15 ou 20 anos. Nesse caso, realizamos a reconstrução pensando inclusive em facilitar futuras intervenções por cateter, caso sejam necessárias. Nós planejamos a cirurgia de hoje já pensando no próximo passo do paciente”, explica.


ACOMPANHAMENTO CONTÍNUO


A Tetralogia de Fallot é uma cardiopatia congênita que combina quatro alterações na estrutura do coração e dificulta o fluxo adequado de sangue para os pulmões. No caso do paciente atendido no Hospital Unimed Chapecó, a condição havia sido corrigida cirurgicamente durante a infância, permitindo que ele levasse uma vida adulta normal.


Com o passar dos anos, porém, ele desenvolveu insuficiência importante da válvula pulmonar, que começou a provocar sobrecarga do ventrículo direito. A evolução indicou a necessidade de uma nova intervenção para preservar a função cardíaca. “Hoje, felizmente, muitas crianças operadas de cardiopatias congênitas chegam à vida adulta e levam uma vida normal. Mas isso não significa que estejam definitivamente curadas. Por isso, esses pacientes precisam de acompanhamento cardiológico durante toda a vida”, esclarece o Dr. Eduardo.


A indicação da cirurgia aos 39 anos ocorreu após a identificação das repercussões provocadas pela insuficiência pulmonar. Segundo o cirurgião, existe um momento adequado para realizar a intervenção, antes que o paciente desenvolva uma disfunção cardíaca avançada ou sintomas importantes. Sem o tratamento, a sobrecarga poderia continuar provocando dilatação e perda progressiva da função do ventrículo direito, além de redução da capacidade física, insuficiência cardíaca e maior risco de arritmias.


ANTES DA SALA CIRÚRGICA


Parte importante da preparação para o caso aconteceu antes do dia da cirurgia. Diante da complexidade da intervenção, foi realizado um Briefing Pré-Operatório. Essa reunião multiprofissional é destinada a analisar antecipadamente as condições clínicas do paciente, as particularidades da cirurgia e os possíveis pontos críticos de cada etapa.


O encontro reuniu profissionais da enfermagem e médicos do Centro Cirúrgico, incluindo cirurgião e anestesiologista, além de perfusionista, equipes médica e de enfermagem da UTI, fisioterapeuta, psicólogo, Gestão da Qualidade, médica infectologista e demais áreas de apoio relacionadas à assistência.


A discussão percorreu a jornada prevista para o paciente, desde os fatores de risco e as estratégias cirúrgica e anestésica até a necessidade de equipamentos e materiais específicos, disponibilidade de hemocomponentes, medicamentos, suporte hemodinâmico, organização da sala e planejamento da admissão e continuidade do cuidado na UTI. Possíveis intercorrências também foram consideradas para que a equipe definisse previamente como responder a diferentes cenários.


Para a coordenadora de enfermagem do Fluxo Cirúrgico da Unimed Chapecó, Suélem Klein, essa preparação amplia a capacidade de antecipação das equipes. “O planejamento conjunto possibilita antecipar necessidades, estabelecer planos de contingência, verificar a disponibilidade de recursos e alinhar previamente as condutas diante de situações críticas. Também reduz falhas de comunicação e melhora a integração entre as equipes”, explica.


DA INTERVENÇÃO À RECUPERAÇÃO


Após a cirurgia, o paciente apresentou evolução considerada satisfatória pela equipe. Segundo o Dr. Eduardo, a recuperação foi excelente diante da complexidade da intervenção e envolveu o acompanhamento dos profissionais responsáveis pelas diferentes etapas da internação.


“Nosso objetivo não é somente realizar uma cirurgia tecnicamente bem-sucedida. Queremos que ele se sinta acolhido, seguro e acompanhado durante toda a internação. Buscamos oferecer um ambiente próximo e humano, mas com toda a estrutura e tecnologia de um centro de referência. Durante esse período, procuramos cuidar dos nossos pacientes como cuidaríamos de alguém da nossa própria família”, conclui o Dr. Eduardo.


Fonte: Hospital Unimed Chapecó

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