Setor produtivo rejeita proposta da ANTT e cobra duplicação integral da rodovia BR-282 no Oeste
- 30 de jun.
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A proposta da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) para conceder trechos das BRs 153, 282, 470 e 480 em Santa Catarina à iniciativa privada abriu uma nova frente de pressão entre entidades empresariais do Oeste catarinense. Em audiência pública realizada em Chapecó, a CDL Chapecó e as entidades coirmãs (CEC, SICOM e ACIC) criticaram o reduzido alcance das obras previstas e defenderam a duplicação integral da BR-282, principal eixo de ligação da região com o litoral e com os corredores de exportação. Os projetos em debate tratam dos lotes 1 e 3 das rodovias federais catarinenses. O Lote 1 abrange cerca de 515,6 quilômetros das BRs 153, 282 e 470. O Lote 3 inclui aproximadamente 166 quilômetros das BRs 153, 282 e 480. Juntos, somam mais de 680 quilômetros em concessão, com prazo previsto de 30 anos. A ANTT informa que o modelo está em fase de audiência pública, com contribuições da sociedade para subsidiar a versão final dos estudos, edital e contrato.
Para o presidente da CDL Chapecó, Roni Tasca, o projeto apresentado frustrou a expectativa das entidades. Segundo ele, o ponto central da divergência está na diferença entre o custo que será imposto aos usuários e o volume de duplicações previsto no projeto.
“A audiência pública nos causou espanto e indignação. Primeiro, porque deixou claro que o governo não vai colocar dinheiro público na duplicação. Segundo, do total proposto para ser concessionado, percebemos que menos de 30% terá duplicação e o restante receberá apenas terceiras faixas, trevos e passarelas. O nosso maior problema hoje é a duplicação. Terceiras faixas ajudam, mas não resolvem o problema da BR-282”, afirmou Tasca.
Na avaliação da CDL, a cobrança de pedágio cria um novo custo para empresas, transportadores e consumidores sem entregar a solução esperada para a logística regional. Tasca estima que o deslocamento de Chapecó ao litoral poderia custar cerca de R$ 70 em pedágios para um automóvel, enquanto caminhões pagariam valores superiores, de acordo com o número de eixos.
“O setor produtivo não é contra pagar pedágio se essa é a única forma de tirarmos a obra do papel e, principalmente, se houver uma estrada compatível com a necessidade de Santa Catarina. O problema é pagar por 30 anos e receber uma rodovia praticamente igual, com trechos pontuais duplicados e muitas terceiras faixas”, disse.
As entidades empresariais já estão em contato com representantes políticos de Santa Catarina para pressionar por mudanças antes da consolidação do edital.
“Não tem como aceitar uma proposta como essa. Defendemos que a duplicação de 100% da BR-282 entre Chapecó e Irani seja tratada como condição mínima para a concessão, além da inclusão das principais obras já no edital e no contrato”, sublinhou.
Para o presidente da CDL, o debate envolve competitividade, segurança, logística e capacidade de crescimento do Oeste. “Todos precisam da BR-282: o comércio, a indústria, o transporte, o turismo e a população. Não podemos pagar um preço alto por um baixo desenvolvimento nos próximos 30 anos”, declarou.
Fonte: CDL Chapecó
Foto: Divulgação
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