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Reflexão e melhoria na atuação dos líderes do agronegócio nacional


Por: Luís Gaião e Paulo Hayashi         

 

No mundo atual com tantas transformações, as organizações precisam se adaptar as condições e demandas do ambiente para manter sua continuidade no processo de vida e desenvolvimento. E não poderia ser diferente para as empresas do agronegócio. Não raro, o grau de dificuldade dos líderes do agronegócio pode ser até maior do que de setores industriais tradicionais, uma vez que, na atividade rural, é essencial o intercâmbio com diferentes públicos e, até mesmo, contar com o favorecimento do clima e da natureza. Para que uma firma do agronegócio prospere, em boa parte, a responsabilidade ultrapassa as fronteiras dos muros organizacionais. Deste modo, é essencial fazer bem e de forma produtiva a parte que a organização fica responsável, com destaque especial para a atuação das lideranças. Mais do que a sorte, o agricultor deve contar com uma biblioteca pessoal de informações, experiências e sabedoria que permite ter os insights corretos sobre as decisões estratégicas do planejamento de cada novo plantio e claro, o desenvolvimento de comportamentos agregadores.

Refletir sobre algo não é uma atividade nova. Pitágoras de Samos (570-495 a.C.), filósofo e matemático grego já recomendava a seus discípulos refletirem com base em três perguntas todo final de dia: O que eu fiz de bom? O que eu fiz de mau? Onde é possível melhorar? Por meio de saber os pontos fortes e fracos, é possível corrigir os cursos, assim como de se tornar quem você realmente é, tal como uma bússola pessoal. Nada muito diferente dos treinamentos de coaching dos dias atuais, de desbloquear a pessoa de suas limitações ou de neutralizar suas fraquezas. Mais do que o super-executivo(a) que nasceu pronto(a), ressalta-se a importância dos indivíduos que lutam contra as suas más tendências e que acumulam vitórias sobre si mesmos.

Deste modo, o presente artigo procura explorar alguns pontos oriundos de uma pesquisa acadêmica realizadas em uma agroindústria no interior de São Paulo e outra cooperativa em Minas Gerais. Em ambas as organizações, foram entrevistados 32 colaboradores que atuam tanto em nível de escritório, quanto na lida do campo. Tem-se como uma importante premissa de que o líder deve ser mais do que um simples ponto de referência, mas sim de apoio e inspiração aos demais. Por isso, a continuidade de aprimoramento do líder acaba impactando a todos da organização, sem dizer da importância da gestão dos conflitos com as novas gerações na empresa e dentro da própria família.

Na pesquisa envolvendo a questão da liderança e da sustentabilidade, os seguintes pontos foram destacados como fortes na atuação dos líderes nas organizações pesquisadas: calma, comprometimento, ética, forma de cobrar, organização do trabalho, relações humanas e transparência. Todos estes elementos fornecem um retrato significativo daquilo que é esperado de um bom líder.

 

Por outro lado, foram identificados pontos de melhorias na atuação dos líderes: feedback, disponibilidade, comunicação, equilíbrio nas cobranças e gestão de pessoas. Estes aspectos podem representar o “calcanhar de Aquiles” das mesmas. Os pontos fracos representam áreas de desenvolvimento potencial e a questão que fica é: como cada um consegue neutralizar tais pontos fracos? Como neutralizar as más tendências, vícios e padrões errôneos? Dizem que somente o dono da casa conhece as goteiras do seu telhado. E o que fazer quando se sabe dos problemas?

E é justamente este terceiro ponto, de melhorias, que Pitágoras encerra sua reflexão. Mas, podemos ir um pouco além e questionar: O que falta para a organização alcançar o que deseja ser?  Como alcançar aquilo que queremos ser? Tais reflexões podem servir como bússola e facilitar a aceleração do processo de aprendizagem pessoal.

O caminho da evolução é contínuo. Cada dia melhor do que ontem. A cada safra e vitória, não somente os resultados econômicos e financeiros, mas também os pessoais. De acumular as virtudes e habilidades que o tornarão livres do medo, da ignorância sobre si, das vergonhas do erro do passado. A liderança não é somente um trabalho de cunho empresarial e de resultados financeiros, mas de transcender do indivíduo sobre suas próprias limitações.



 

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