Produtividade faz o Brasil jogar no ataque e Santa Catarina fechou o ano no topo
- 27 de jan.
- 3 min de leitura

Dados recentes divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostram que a safra brasileira de grãos mais que dobrou em 13 anos, com crescimento de 113% entre 2012 e 2025 — um salto impulsionado muito mais pelo aumento da produtividade do que pela expansão territorial. Em 2012, o Brasil colheu 162 milhões de toneladas. Em 2025, o volume chegou a 346,1 milhões de toneladas, ajudando a conter a inflação (4,26% no ano) e a reforçar a balança comercial.
A área plantada cresceu 66,8%, passando de 48,9 milhões para 81,6 milhões de hectares — um avanço relevante, porém claramente inferior ao ganho produtivo. Em outras palavras, tecnologia, genética, manejo e pesquisa falaram mais alto do que a simples abertura de novas áreas.
Para 2026, a estimativa do IBGE aponta leve recuo, para 339,8 milhões de toneladas (–1,8%). Ainda assim, o número permanece histórico — superior a toda a safra brasileira de 2012 e próximo ao volume colhido apenas de soja em 2025. O recado é direto: com a terra mais cara, regras ambientais mais rígidas e pressão internacional contra o desmatamento, o futuro do agro passa pela produtividade sustentável. Quem não produzir mais por hectare tende a ficar para trás.
No cenário internacional, o ambiente adiciona tensão ao jogo. A pressão dos Estados Unidos para que a China amplie as compras de soja americana tende a alterar os fluxos globais e pode impactar os embarques brasileiros. Em contrapartida, a expectativa de implementação do acordo Mercosul–União Europeia abre espaço para a ampliação das exportações ao bloco europeu — especialmente da soja, que não possui cota.
Há, no entanto, condicionantes importantes. A União Europeia exigirá rastreabilidade total e adesão ao Regulamento de Produtos Livres de Desmatamento. Produzir bem já não basta. Será preciso comprovar.
Se o Brasil avança no agregado, Santa Catarina encerra 2025 com números históricos na pecuária. Segundo análise da Epagri/Cepa, o estado consolidou sua posição como potência em proteína animal, com produção, exportações e eficiência produtiva em alta. Para o analista de Socioeconomia e Desenvolvimento Rural da Epagri/Cepa, Alexandre Luís Giehl, 2026 tende a manter viés positivo, ainda que com desafios pontuais no mercado externo.
“Na avicultura, a reabertura de mercados como China e União Europeia deve impulsionar as exportações. Na suinocultura, a demanda externa segue firme, e o mercado interno pode melhorar margens. Já na bovinocultura, a oferta mais restrita sustenta os preços, embora haja atenção à taxação chinesa”, avalia.
Em 2025, Santa Catarina abateu 761,3 mil cabeças, alta de 11,2%, com destaque para o Alto Vale do Itajaí e o Planalto Sul. A oferta mais curta sinaliza preços firmes em 2026. No cenário externo, o acordo Mercosul–União Europeia surge como oportunidade de médio prazo.
O estado produziu 910,5 milhões de frangos, o maior volume desde 2014, e exportou 1,20 milhão de toneladas, com faturamento recorde de US$ 2,45 bilhões. Para 2026, o cenário é favorável, desde que o rigor sanitário siga como prioridade.
Na suinocultura, Santa Catarina liderou mais uma vez: 748,8 mil toneladas exportadas, US$ 1,85 bilhão em receita e mais de 50% das exportações nacionais. A produção atingiu 18,3 milhões de suínos, o maior volume da história.
O Boletim Agropecuário de Santa Catarina, elaborado pela Epagri/Cepa, aponta um início de 2026 marcado por oferta elevada e preços pressionados. No milho, os preços seguem sob pressão em razão da safra recorde no Brasil e no mundo. Em Santa Catarina, a área cultivada cresce levemente, mas a produtividade média recua. Na soja, o mercado permanece pressionado pela oferta global, com a safra iniciando sob ajustes diários e atenção redobrada às condições climáticas. Para o produtor catarinense, o desafio é claro: gestão, controle de custos e timing de comercialização.
O Governo do Estado e a Epagri vão investir R$ 7,87 milhões em projetos de inovação agropecuária, com foco em maçã, uva PIWI, arranjos produtivos e competitividade. “O investimento é inédito na história da Epagri”, afirmou o presidente Dirceu Leite, destacando que a inovação é condição básica para manter o agro catarinense competitivo.
Fonte: Coluna Política e Agro
Foto: Divulgação








Comentários