O que vem pela frente para o agro, na visão de executivo da MOSAIC
- 31 de jan.
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Depois de um ano histórico para a produção e as exportações, em 2026 o agronegócio entra em um ciclo que exige atenção às tendências e ao cenário global. Preços, safras, pecuária e fatores econômicos apontam para ajustes importantes, enquanto questões geopolíticas podem influenciar estratégias. Confira, a seguir, os principais destaques e perspectivas para a tomada das melhores decisões. A análise é de Luis Arruda, diretor de Marketing da multinacional Mosaic Fertilizantes.
Ele lembra que o agronegócio brasileiro encerrou 2025 com crescimento expressivo de 9,6%, mas as projeções para 2026 indicam uma desaceleração significativa, com avanço estimado em apenas 1%. Esse cenário é resultado de custos elevados, taxa Selic em patamar alto, endividamento do setor e instabilidade no mercado externo. A Selic, atualmente em 15%, deve recuar, mas permanecer entre 12,5% e 13,5% até o final do ano, o que continuará encarecendo o crédito rural e pressionando o capital de giro.
Por outro lado, a inflação de alimentos deve desacelerar, passando de 8,49% em 2025 para cerca de 5,75% em 2026, como reflexo da recuperação das safras agrícolas. Apesar do desempenho excepcional no ano anterior, 2026 exigirá atenção e políticas estruturantes para enfrentar os desafios econômicos.
Na pecuária, a retenção de fêmeas reduziu o abate em 16%, o que deve impactar a oferta futura de bezerros. O ciclo pecuário aponta para valorização ao longo de 2026, favorecendo os produtores, enquanto os Estados Unidos enfrentam o menor rebanho desde a década de 1970, abrindo espaço para o Brasil ampliar sua participação no mercado global.
Quanto ao cenário geopolítico, o embate entre Estados Unidos e Venezuela pode trazer reflexos indiretos para o agronegócio brasileiro, principalmente no campo da gestão de riscos. Especialistas apontam que a instabilidade pode gerar volatilidade nos preços do petróleo, com impactos sobre diesel, fretes e seguros, elevando os custos logísticos para cadeias como grãos e proteína animal.
Além disso, o cenário tende a aumentar as exigências regulatórias e as práticas de compliance, já que bancos e seguradoras reforçam análises de risco e rastreabilidade, o que pode alongar prazos e encarecer operações. Também há a possibilidade de maior oscilação cambial e ajustes nos preços internacionais de insumos estratégicos, como fertilizantes.
Fonte: MOSAIC
Foto: Divulgação








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