Missão ao Paraguai avança em parcerias para logística no comércio
- 12 de ago.
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O Governador Jorginho Mello, presidente da Fiesc Gilberto Seleme, secretários de estado e demais integrantes da comitiva estiveram no Paraguai e foram recebidos na sede do governo do país, o Palacio de los López. Segundo publicação da jornalista Estela Benetti, trataram da construção de uma nova ponte para integração logística de Santa Catarina, Argentina (via Missiones) até o Paraguai, a falecida rota do milho e uso de portos de SC pelo país. Estes foram três temas tratados com o presidente interino do país, o vice-presidente Pedro Alliana, pelo ministro da Indústria e Comércio Marco Riquelme e outras autoridades.
A missão catarinense foi integrada pelo presidente da Federação das Indústrias de SC (Fiesc) Gilberto Seleme, e os secretários de estado de Articulação Internacional, Paulo Bornhausen; da Fazenda, Cleverson Siewert, e da Comunicação Bruno Oliveira. O grupo teve ainda as participações do presidente da Agência de Investimentos do estado (InvestSC) Gil Prayon, da presidente do Conselho
O aproveitamento da estrutura portuária de Santa Catarina para o comércio exterior do Paraguai e a formatação de uma parceria para viabilizar melhorias na logística para fornecimento de insumos para a agroindústria catarinense, estão entre os principais destaque da missão oficial liderada pelo Governo do Estado e pela Federação das Indústrias do Estado de Santa Catarina (FIESC) ao país vizinho.
“A aproximação estratégica traz benefícios tanto para SC como para o Paraguai. Existe um mercado com muito potencial para crescer no intercâmbio comercial com os catarinenses”, explicou o presidente da FIESC, Gilberto Seleme.
A Rota do Milho, iniciativa para garantir o abastecimento constante de milho ao polo agroindustrial de proteína animal no Oeste de Santa Catarina, foi um dos temas abordados. O milho lidera a pauta exportadora do Paraguai para SC e foi responsável por 15,2% do total vendido pelo país ao estado em 2025, com US$ 70,5 milhões.
Além do esforço para garantir o suprimento de grãos, a comitiva abriu frentes para a transferência de tecnologias catarinenses à agricultura paraguaia e para a criação de Zonas de Processamento de Exportação (ZPE) conectadas aos portos do estado.
Dados do Observatório FIESC apontam que, entre 2015 e 2025, o comércio de Santa Catarina com o Paraguai cresceu em ritmo muito superior à média nacional. No período, as exportações catarinenses subiram 99,1%, alcançando US$ 445,1 milhões em 2025, impulsionadas por bens de maior valor agregado, como cerâmica não vitrificada, máquinas e aparelhos mecânicos e equipamentos de refrigeração.
Em contrapartida, as importações catarinenses vindas do Paraguai deram um salto de 390,5%, entre 2015 e 2025 e atingiram US$ 464 milhões no ano passado. O milho lidera as compras, seguido por carne bovina, óleo de soja, tecidos para o polo têxtil do Vale do Itajaí e insumos metálicos como chumbo e sucata de cobre para o setor metalmecânico.
A transferência de tecnologias e soluções em infraestrutura para apoiar o forte ciclo de obras em expansão no Paraguai também foi debatida. Como desdobramento imediato dos compromissos assumidos em Assunção, equipes técnicas do Governo de Santa Catarina e da FIESC aprofundarão os estudos logísticos e regulatórios ao longo dos próximos meses. Uma nova agenda de aproximação está prevista para novembro, quando Santa Catarina sediará um encontro e seminário empresarial focado na relação com o Paraguai.
Para Remoaldo Araldi, da Corretora Granosul, de Foz do Iguaçu, que há mais de 20 anos atua na importação de milho do Paraguai para as cooperativas catarinenses, a possibilidade de utilizar uma rota pela Argentina é positiva, principalmente pela redução da distância até Santa Catarina. No entanto, ele alerta que existem peculiaridades operacionais que precisam ser consideradas.
Segundo Araldi, após a construção da ponte anunciada, será necessário discutir com os órgãos argentinos competentes as condições para a utilização dos cerca de 120 quilômetros de território argentino que deverão ser percorridos pelo milho até chegar ao território catarinense.
Para ele, uma das melhores alternativas para reduzir os custos do milho destinado a Santa Catarina seria viabilizar, junto às autoridades argentinas, uma Aduana Integrada na cabeceira da segunda ponte entre Foz do Iguaçu e Puerto Iguazú, em sistema semelhante ao existente atualmente entre o Paraguai e Santa Helena, no Paraná.
Com a redução do tempo de espera dos caminhões nas aduanas, também seria possível diminuir os custos com o frete, explicou Araldi.
Ele pondera, porém, que ainda é preciso avaliar o interesse da Argentina em disponibilizar sua estrutura e permitir o trânsito de cargas pelas rodovias do país para atender operações comerciais entre Paraguai e Brasil.
Araldi conclui que, independentemente da rota utilizada, é fundamental tornar as aduanas mais rápidas e eficientes, agilizando a liberação dos caminhões carregados de milho que saem do Paraguai com destino ao Brasil.
Fonte: Informações NSC, Fiesc e Granosul
Foto: Divulgação
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