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Mais um problema para o agro

  • há 3 horas
  • 2 min de leitura

Por Ivan Ramos


E a novela no agro continua. Cada vez com mais suspense, capítulos inéditos — e negativos. Agora é a guerra no Oriente Médio que repercute por aqui e em várias partes do mundo.


Não bastasse a insegurança interna, onde medidas governamentais têm afetado o setor, somam-se agora os problemas internacionais. A guerra impacta diretamente os custos de produção para o próximo plantio.


Em um país que é dependente, quase que totalmente, de insumos agrícolas importados, não há como escapar dos custos elevados de fertilizantes e defensivos. Além disso, o petróleo — ingrediente essencial no plantio, na colheita e no transporte — agrava ainda mais a situação. Tudo que vai e vem do campo depende de combustíveis.


Os fertilizantes, desde o início da guerra no Oriente Médio, já subiram, em média, mais de 30%. Os nitrogenados chegaram a subir 50%. E o pior: há o risco de falta no momento da utilização, devido às dificuldades de produção e logística.


A situação é preocupante. Sem dúvida, o mundo está globalizado. Qualquer incidente em qualquer parte do planeta tende a impactar a economia global — ainda mais para países que não são autossuficientes na produção de insumos.


O Brasil ocupa posição de destaque na produção e exportação de alimentos. Diferentemente de países como o Irã, por exemplo. Mas, para produzir alimentos, precisa de fertilizantes — um elo fundamental da cadeia produtiva. E isso ainda passa despercebido por grande parte da população urbana.


Sem fertilizante, não há grãos. Sem grãos, não há ração. Sem ração, não há carne. Não há óleo, não há alimentos — e, consequentemente, não há abastecimento nos supermercados nem exportações.


Cabe aos governantes adotar medidas alternativas diante de cenários como este. Conflitos sempre existiram — e continuarão existindo. Por isso, o planejamento é essencial.


No caso dos fertilizantes, para um país dependente do mercado internacional, é urgente avançar em alternativas. Se não temos autonomia na produção de químicos e minerais, estamos negligenciando o potencial dos organominerais.


Hoje, o Brasil importa cerca de 45 milhões de toneladas de fertilizantes minerais e derivados de petróleo por ano. Esse volume poderia ser reduzido significativamente com o uso ampliado de fertilizantes organominerais. Além de contribuir para a produtividade — como já comprovado —, essa alternativa também reduz impactos ambientais, ao dar destino adequado aos dejetos das propriedades e agroindústrias.


A tecnologia já existe no Brasil. O que falta é incentivo oficial e conscientização dos produtores.


Talvez a própria guerra — que pode provocar escassez — seja a oportunidade de acelerar essa mudança.


É preciso priorizar soluções. E o maior interessado deveria ser o governo federal. Afinal, se faltar comida, faltará estabilidade social. Faltará paz.


É hora de deixar de lado o imediatismo e a visão voltada apenas para as próximas eleições. As soluções existem. É preciso agir.


Pense nisso.


Fonte: Fecoagro

Foto: Divulgação

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