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Etanol consolida novo vetor de consumo do milho no Brasil

  • 12 de ago.
  • 2 min de leitura

A produção brasileira de milho na temporada 2025/26 está estimada em cerca de 140 milhões de toneladas. A consultoria Hedgepoint Global Markets, mantém viés de revisão positiva em agosto, uma vez que a segunda safra apresentou resultados favoráveis em vários estados, apesar dos problemas registrados em Goiás.


O milho destinado à produção de etanol já soma 28,5 milhões de toneladas, 5,5 milhões a mais que no ano anterior. Se a mistura de 32% de etanol anidro na gasolina (E32), aprovada inicialmente por 180 dias, for confirmada em caráter definitivo, o consumo adicional do cereal poderá chegar a aproximadamente 1,5 milhão de toneladas. Caso a medida vigore somente durante esse período, a demanda extra estimada será de cerca de 700 mil toneladas.


O avanço também aparece na capacidade produtiva. O número de usinas em operação passou de 27 para 29, enquanto outras 27 unidades estão projetadas ou em construção. Segundo a Hedgepoint, o movimento sinaliza crescimento estrutural do mercado interno, que se expande para além do Centro-Oeste.


Por outro lado, a Argentina se consolidou como a origem mais competitiva para o milho, superando os Estados Unidos. O Brasil ocupa atualmente a posição menos favorável na América do Sul, embora a diferença de preços seja pequena e possa ser compensada pela qualidade e pela logística.


Para a temporada 2025/26, o USDA estima a produção argentina em 63 milhões de toneladas, enquanto a Bolsa de Rosário aponta 68 milhões. As exportações do país são projetadas em 45 milhões de toneladas, ante 29 milhões em 2024/25. Esse volume pode superar os 43 milhões previstos para o Brasil, estimativa que apresenta viés de queda, e acirrar a disputa entre os dois países.


Nos Estados Unidos, a colheita pode resultar na segunda maior produção da história, embora a produtividade já seja projetada abaixo da temporada anterior. Cerca de 19% da área cultivada está sob seca, ante aproximadamente 9% no ano passado, o que reforça o risco de ajustes negativos nos rendimentos caso o clima não melhore em agosto.


As exportações norte-americanas já somam 86,3 milhões de toneladas, acima da estimativa de 84,5 milhões do USDA, e seguem como importante fator de sustentação dos preços em Chicago. Parte desses volumes registrados, porém, pode migrar para o ciclo seguinte na virada do ano comercial.


Na União Europeia, a deterioração das lavouras francesas pode abrir espaço para outros fornecedores. Apenas 41% das áreas de milho da França estão em condições boas ou excelentes, enquanto 31% são classificadas como ruins ou muito ruins. A perspectiva é de novos cortes na produção e de aumento das importações europeias, movimento que pode beneficiar Brasil, Argentina, Estados Unidos e Ucrânia.


“Dessa forma, o momento é de cautela e de necessidade de acompanhamento constante dos fatores, tanto climáticos quanto de oferta e demanda, já que vários números-chave ainda estão em aberto e podem alterar o equilíbrio dos mercados nos próximos meses”, conclui Roque.


Fonte: MT Econômico

Foto: Canva

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