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Embrapa desenvolve insumo à base de resíduos suínos para substituir fertilizantes fosfatados

  • 22 de mai.
  • 2 min de leitura

A Embrapa Agrobiologia, do RJ, realizou uma pesquisa quanto ao uso da estruvita como fertilizante nas plantações de soja e trigo. Cientistas envolvidos no estudo apontam que o uso desse insumo, produzido a partir de resíduos da suinocultura, é uma opção viável para reduzir a utilização e dependência fosfatados importados. A estruvita é um cristal mineral – fosfato de magnésio e amônio – que se forma na urina alcalina e dejetos suínos. Experimentos realizados mostram que o produto teve capacidade de suprir até 50% da demanda por fósforo, mantendo a quantidade de produção equivalente a realizada com o fertilizante convencional.


O pesquisador da Embrapa, Caio de Teves Inácio, ressalta que a ideia não é apenas substituir fertilizantes. “Estamos criando uma nova rota tecnológica para o campo brasileiro, alinhada à sustentabilidade, à autonomia e à inovação”, afirma o coordenador do estudo. A estruvita, material usado no novo tipo de fertilização, tem formação feita por cristais de fosfato de magnésio e amônio, além de ser produzido a partir da precipitação química de nutrientes de resíduos da suinocultura.


Caio destaca que o produto representa o conceito de economia circular na agropecuária, “Transformamos um passivo ambiental, que são os efluentes animais, em um insumo agrícola de alto valor agregado”, explica. Outro fator fundamental para ser considerado um sucesso o estudo, são resultados que mostram a eficiência desse tipo de fertilizante, se mostrando superior em termos de recuperação do fósforo aplicado no solo. O solo brasileiro tropical, desgastados pelo clima, costuma fixar o fósforo de forma rápida, o que limita a eficácia do fertilizante convencional. Visto que a liberação do novo tipo de fertilização é feita de forma lenta e gradual, seu aproveitamento é maior.


A recomendação preliminar indica que a estruvita pode ser aplicada sozinha ou em combinação com outros fertilizantes solúveis. As doses podem variar de 50% a 100%, a depender da cultura e do solo.


Através disso, pesquisadores desenvolveram um tipo de fertilização organomineral, combinando nutrientes minerais com matéria orgânica. Em testes, a formulação combinada obteve resultados 50% maiores nos primeiros 28 dias, comparadas com a estruvita pura. Além dos pontos positivos relacionados a agronomia, outros fatores econômicos e ambientais reforçam o benefício desse fertilizante.


“Estamos falando de uma tecnologia nacional, que reduz a dependência de insumos importados, reaproveita os nutrientes de resíduos agropecuários e melhora a eficiência do uso do fósforo, um recurso natural não renovável”, comenta Caio.


Fonte: Embrapa

Foto: Divulgação

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