Cooperativismo, um gigante que precisa soltar a voz
- 9 de jun.
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MARCELO VIEIRA MARTINS Diretor executivo da Unicred União e autor do cooperativismo
Costumo dizer que o cooperativismo é um gigante que ainda precisa soltar a voz.
Estamos falando de um modelo que reúne mais de 1 bilhão de pessoas no mundo e que atravessa quase dois séculos gerando resultados concretos para cooperados e comunidades. Desde 1844, o cooperativismo mostra sua força especialmente nos momentos de crise, quando produtores, trabalhadores e pequenos empreendedores encontram na cooperação uma saída sustentável.
O problema nunca foi falta de resultado, mas é preciso falar sobre a falta de conhecimento.
O cooperativismo ainda é pouco ensinado, pouco debatido e pouco compreendido. Muita gente nem sequer sabe exatamente como ele funciona. E talvez esteja aí um dos maiores desafios do movimento.
O Brasil tem hoje 26 milhões de cooperados, o que representa apenas 12% da população. A fatia poderia ser maior. Curiosamente, milhões de brasileiros convivem diariamente com cooperativas sem perceber. Poucos sabem, por exemplo, que marcas conhecidas como Frísia, Aurora e Unimed nasceram dentro do cooperativismo.
Isso mostra que o cooperativismo já faz parte da vida das pessoas. O que falta é ocupar mais espaço na conversa.
Na minha visão, existe um erro recorrente na comunicação do movimento. No cooperativismo de crédito, por exemplo, muitas vezes tentamos nos comunicar como os bancos tradicionais, falando de produtos, taxas, serviços e tecnologia. Tudo isso é importante, mas não é o que nos torna diferentes.
Falamos pouco sobre os princípios, sobre a distribuição de resultados, sobre o impacto que geramos nas comunidades e sobre o fato de que, no cooperativismo, o cliente também é dono. Ou seja, os benefícios para a sociedade são imensamente maiores.
Talvez a prova disso esteja dentro das nossas próprias casas. Quanto tempo dedicamos, no último ano, para conversar sobre cooperativismo com amigos ou familiares? Arrisco responder nenhum ou muito pouco.
E isso é curioso, porque estamos falando de um modelo que há quase 200 anos protege pessoas, fortalece comunidades e distribui prosperidade de forma mais equilibrada.
Produtos competitivos e bom atendimento são fundamentais. Mas, quando estão conectados a valores claros, tornam-se algo muito maior do que uma simples estratégia de mercado.
Fonte: Comunique-se
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