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Cooperativas financeiras projetam mais de R$ 160 bilhões no Plano Safra 2026/2027

  • 15 de jul.
  • 3 min de leitura

As cooperativas financeiras chegam ao Plano Safra 2026/27 com projeções que reforçam sua presença no financiamento rural brasileiro. Somadas, as previsões anunciadas por Sicredi, Sicoob e Cresol superam R$ 160 bilhões em crédito para o novo ciclo, em um movimento que amplia a participação do cooperativismo em uma das principais políticas de apoio à produção agropecuária do país. O avanço ocorre em um cenário mais desafiador para produtores e instituições financeiras. Juros ainda elevados, margens mais estreitas, maior cautela nas decisões de investimento e crescimento da inadimplência tornam a concessão de crédito mais criteriosa.


Nesse contexto, a atuação das cooperativas passa a combinar ampliação da oferta, análise da capacidade de pagamento e busca por alternativas além das linhas tradicionais. Neste ciclo, o cooperativismo financeiro reforça novamente sua posição como agente de proximidade no campo. A cobertura do Plano Safra pelas cooperativas envolve recursos para custeio, investimento, comercialização e industrialização, com a estratégia voltada para um crédito rural mais diversificado, ajustado ao perfil de cada produtor. Entre as instituições financeiras cooperativas, o Sicredi prevê disponibilizar R$ 72,1 bilhões em crédito para o agronegócio durante o Plano Safra 2026/27. O volume representa alta de 4,4%. A expectativa é realizar cerca de 340 mil operações ao longo da nova temporada, frente às mais de 320 mil contratações registradas na safra 2025/26.


O Sicoob também projeta crescimento para o período. A instituição anunciou a liberação de cerca de R$ 70 bilhões em crédito rural, valor quase 18% superior aos R$ 59,5 bilhões destinados ao setor agropecuário na temporada anterior. A Cresol, por sua vez, informou que superou o objetivo de liberar R$ 15 bilhões na safra 2025/26 e projeta operar mais de R$ 18 bilhões no novo ano agrícola.


A expansão ocorre em uma conjuntura mais seletiva. Na avaliação das instituições, a concessão de crédito passa a exigir leitura mais detalhada da capacidade de pagamento, do fluxo de caixa, do nível de alavancagem e das condições particulares de cada produtor. A garantia segue relevante, mas não substitui a análise financeira da atividade.


O avanço da inadimplência também influencia a estratégia das instituições. No Sicoob, o atraso acima de 90 dias no crédito rural passou de 0,08% em 2022 para 2,1% atualmente, segundo dados apresentados pela cooperativa. Mesmo diante desse cenário, a instituição afirma que busca manter previsibilidade na oferta de recursos ao campo.


A cobertura das cooperativas financeiras no Plano Safra também aparece na destinação de recursos para pequenos e médios produtores. No Sicredi, a agricultura familiar deve receber R$ 13,3 bilhões, enquanto R$ 14,6 bilhões serão direcionados aos produtores de médio porte. Juntos, esses dois públicos devem concentrar 88% das operações previstas pela instituição no ciclo.


No Sicoob, quase 40% dos recursos devem contemplar pequenos e médios produtores. A previsão inclui R$ 11,5 bilhões em operações do Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf) e R$ 15,8 bilhões por meio do Programa Nacional de Apoio ao Médio Produtor Rural (Pronamp). A distribuição reforça a importância das cooperativas no atendimento a produtores que dependem de crédito ajustado ao porte da atividade e à capacidade de pagamento.


A Cresol também coloca esse público no centro de sua estratégia para o novo ciclo. Com forte atuação junto à agricultura familiar, a cooperativa financeira tem buscado associar crédito, orientação e planejamento para apoiar produtores em diferentes etapas da atividade agropecuária. A proposta é oferecer soluções financeiras alinhadas às necessidades de custeio, investimento, modernização e expansão da produção.


Fonte: Mundo Coop

Foto: Divulgação

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