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Como identificar transtornos alimentares em adolescentes?

  • há 5 minutos
  • 4 min de leitura

Conheça os sinais de alerta e saiba como auxiliá-los no processo de construção da autoimagem


Olhar-se no espelho e não se reconhecer, não ter uma dimensão real do que consumiu ao longo do dia, sentir um medo intenso de engordar ou a sensação de falta de controle. Esses são alguns dos dilemas de quem vê na comida um vilão ou um conforto. Dados da Organização Mundial da Saúde (OMS) apontam que 4,7% dos brasileiros sofrem de algum transtorno alimentar, percentual que representa quase o dobro da média global, que é de 2,6%. E, esses transtornos têm crescido de forma preocupante, principalmente, entre os jovens. Entre os brasileiros dessa faixa etária cerca de 10% apresentam condições como anorexia nervosa, bulimia nervosa ou transtorno de compulsão alimentar.


A anorexia é caracterizada por uma restrição extrema da alimentação, com perda de peso significativa, muitas vezes, acompanhada de um medo intenso de engordar e uma percepção distorcida do próprio corpo. A bulimia, por sua vez, é marcada por episódios de compulsão alimentar, em que se ingere de forma descontrolada e rápida uma grande quantidade de alimento, seguidos de comportamentos compensatórios, como vômito induzido, uso de laxantes e diuréticos, jejum prolongado, e ainda exercícios intensos.


Já o transtorno de compulsão alimentar envolve episódios de ingestão de grandes quantidades de comida de maneira descontrolada, sem comportamentos compensatórios como os da bulimia. Isso pode ocorrer ao menos duas vezes por semana, por média de seis meses seguidos, acompanhados de sentimentos de falta de domínio próprio. “A pessoa pode sentir-se fora de controle durante esses episódios, o que geralmente resulta em sentimentos de vergonha, culpa e baixa autoestima. Isso pode levar a uma autoimagem negativa”.


A nutricionista da Unimed Chapecó, Luiza Hammerschmitt Chiappa, explica que esses são os transtornos alimentares mais frequentes entre os adolescentes e que afetam a imagem corporal. “Cada um deles apresenta características específicas, mas todos envolvem uma relação complexa com a alimentação, o corpo e a autoestima”, reforça. E, normalmente, esses transtornos coexistem com outras condições que merecem atenção, como ansiedade, depressão ou abuso de substâncias. Por isso, é necessário analisar fatores biológicos (genética, funções hormonais ou deficiências nutricionais), psicológicos (imagem negativa do corpo e baixa autoestima) e ambientais (dinâmica familiar disfuncional, profissões que incentivam a magreza, esportes esteticamente orientados, traumas, pressão cultural e transições estressante).


SINAIS DE ALERTA: COMPORTAMENTO, APARÊNCIA E HUMOR


É na adolescência que ocorre o processo de construção da autoestima, por isso, nesse período os jovens estão mais vulneráveis e podem ter dificuldades em compreender situações delicadas relacionadas ao preconceito. Isso pode interferir na maneira em que visualizam seu corpo e, consequentemente, estimular mudanças no comportamento alimentar. As redes sociais têm contribuído para o aumento dos transtornos alimentares nessa faixa etária, seja pelo acesso ilimitado de conteúdos, contato com diversos “tipos” de corpos (que instigam a comparação), uso de filtros que alteram as características físicas das pessoas e o estímulo ao culto da estética e da magreza.


Segundo a psicóloga da Unimed Chapecó, Daiane de Lisboa de Oliveira, pais, familiares e educadores devem observar sinais de mudanças comportamentais e demonstrações de preocupações excessivas com o corpo, que são os primeiros indicativos de que o adolescente pode desenvolver um transtorno alimentar. “Um dos alertas é a mudança no peso, seja um aumento ou uma perda repentina e sem causa aparente. Também é importante observar quando o jovem começa a evitar a companhia de amigos, deixa de participar das refeições em família e se afasta de atividades que antes gostava. Ele pode ainda optar por usar roupas largas para esconder o corpo e apresentar alterações de humor, como irritação ou tristeza além do normal”, explica.


O diálogo aberto e sem julgamentos pode incentivar o adolescente a falar sobre seus sentimentos. “Prevenir envolve promover uma imagem corporal positiva, ao evitar críticas à aparência, incentivar hábitos alimentares equilibrados e oferecer apoio emocional. O estresse psicológico pode estar associado ao desenvolvimento de compulsão alimentar”, ressalta a psicóloga.


IMPACTO NA QUALIDADE DE VIDA


A distorção de imagem em adolescentes pode afetar significativamente sua qualidade de vida. Segundo Daiane, durante essa fase, a autoestima e a visão de si mesmos estão em desenvolvimento, e, quando há uma percepção distorcida do próprio corpo, isso pode gerar sentimento de insegurança, ansiedade e baixa autoestima. “Com isso, os jovens podem se sentir insatisfeitos e isolados, prejudicando suas relações sociais, seu desempenho escolar e seu bem-estar. Além disso, a preocupação excessiva com a aparência pode levar a comportamentos prejudiciais, como dietas restritivas ou compulsivas, que afetam a saúde física e emocional. Trabalhar esses aspectos na terapia é fundamental para ajudar o adolescente a desenvolver uma percepção mais realista e saudável de si mesmo, promovendo uma melhor qualidade de vida”, analisa.


QUANDO PROCURAR AJUDA?


As profissionais orientam que é necessário buscar ajuda quando existem sinais de preocupação excessiva com o peso, mudanças de comportamento evidentes, isolamento social ou marcas físicas, que são persistentes. “É fundamental procurar apoio médico, psicológico e nutricional. Quanto mais cedo o tratamento começar, melhores são as chances de recuperação”, reforça Daiane.


A nutricionista expõe que o envolvimento da família também é fundamental, pois oferece suporte emocional e ajuda a criar um ambiente mais saudável para o adolescente. “Cada caso é único, então, o tratamento deve ser personalizado e sempre com acompanhamento de uma equipe especializada”, finaliza.



Fonte: MB Comunicação

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