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Biossensor biodegradável desenvolvido no Sul busca tornar irrigação mais eficiente no agro

  • há 6 horas
  • 3 min de leitura

Tecnologia criada pela Nora Biotecnologia monitora a umidade do solo e pode auxiliar decisões de irrigação; solução entra em nova fase de testes de campo em outubro


Tecnologias capazes de combinar produtividade e uso mais eficiente dos recursos naturais podem ganhar um espaço ainda maior na discussão sobre o futuro do agronegócio, principalmente em uma região onde o agronegócio ocupa papel central na economia. Entre as soluções que começam a avançar do laboratório para o campo está um biossensor biodegradável desenvolvido para monitorar a umidade do solo e fornecer informações que auxiliem nas decisões de irrigação.


A inovação é da Nora Biotecnologia, deep tech de Farroupilha (RS) que participa do Startup Summit 2026, em Florianópolis. A empresa desenvolve bioplásticos, biomateriais e soluções inteligentes a partir de resíduos e recursos naturais da agroindústria combinando engenharia de bioprocessos, biotecnologia e inteligência artificial.


Para uma região como o Oeste catarinense, fortemente ligada à produção agropecuária e agroindustrial, a aplicação de tecnologias desse tipo chama atenção pela possibilidade de aproximar a sustentabilidade de uma questão bastante concreta para quem produz: eficiência.


O biossensor desenvolvido pela Nora monitora a umidade do solo e gera informações que podem orientar o momento e a necessidade de irrigação. Segundo testes conduzidos pela própria startup, a tecnologia apresentou potencial de melhorar em até 60% o manejo da irrigação, ao fornecer dados que ajudam a identificar se há maior ou menor necessidade de água e quando irrigar. O resultado, no entanto, ainda não é oficial, pois passará por uma etapa importante de validação e a previsão é iniciar testes de campo em outubro de 2026.


A proposta tem ainda uma característica particular. Ao invés de adicionar ao campo mais um dispositivo que posteriormente precisa ser recolhido ou descartado, o sensor é desenvolvido a partir de biomateriais biodegradáveis, como a cana-de-açúcar, o milho, a soja, produtos que sãocultivados no oeste catarinense também, que podem ser decompostas posteriormente.


Do resíduo à tecnologia


O desenvolvimento dos biossensores faz parte de uma plataforma tecnológica mais ampla. Criada em 2022 pela idealizadora e CEO da Nora, Juliana Machado Fernandes, a tecnologia trabalha para transformar resíduos e recursos naturais em matérias-primas para novos materiais, buscando alternativas aos produtos de origem fóssil. Segundo a diretora, exemplos de resíduos que podem vir de culturas do Oeste catarinense são soja, milho, cevada, casca de arroz e uva. “Um dos maiores interesses da Nora é fazer conexões, quanto mais trocarmos com diferentes regiões, melhor fica nosso produto”, afirma.


Entre as aplicações que já estão mais próximas do mercado estão embalagens e cumbucas biodegradáveis. Atualmente, a startup mantém cerca de seis projetos em desenvolvimento para clientes nessa área, além da venda direta de embalagens destinadas a eventos.


Nos testes realizados pela empresa com suas embalagens, a produção apresentou redução de até 90% da pegada de carbono em comparação com a referência adotada pela Nora. A startup também desenvolve projetos personalizados para outras empresas por meio do modelo chamado Biotech as a Service, no qual utiliza sua estrutura de pesquisa e desenvolvimento para criar materiais, produtos ou processos a partir de demandas específicas.


A lógica é transformar a biotecnologia em uma ferramenta aplicável a problemas reais da indústria e do campo. Esse movimento ganha relevância em regiões nas quais produção agropecuária, processamento de alimentos e geração de resíduos estão diretamente conectados.


Ciência fora dos grandes centros


A trajetória da Nora também ajuda a mostrar como tecnologias de maior complexidade começam a ser desenvolvidas fora dos principais polos brasileiros de inovação. Sediada em Farroupilha, na Serra Gaúcha, a startup foi idealizda e desenvolvida por Juliana Machado Fernandes, doutora em Biotecnologia de Recursos Naturais, engenheira de Bioprocessos e Biotecnologia e mestre em Engenharia de Materiais.


Desde o início da operação, a empresa passou por diferentes programas de inovação e aceleração. Em 2025, ficou em primeiro lugar na seleção do InovAtiva Sustentabilidade e foi finalista do InovaClima, com soluções relacionadas à agenda da COP30. Em 2026, está entre as mil startups selecionadas no Prêmio Sebrae Startups e participou do Startup Summit como expositora.


Agora, a empresa entra em uma fase que pode ser decisiva para tecnologias como o biossensor destinado ao agro: sair de um período predominantemente dedicado à pesquisa e desenvolvimento para ampliar validações, comercialização e aplicações em campo.


No caso do sensor de umidade, os testes previstos para outubro devem ajudar a responder justamente à questão mais importante para o produtor: como uma tecnologia desenvolvida a partir de biotecnologia pode se traduzir, na prática, em eficiência dentro da propriedade rural.


Fonte: MB Comunicação

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