top of page

As dificuldades para produzir no Brasil

  • há 5 dias
  • 3 min de leitura

Por Ivan Ramos


O que mais se ouve hoje no setor produtivo no Brasil é que o país não colabora para que o empresariado possa se desenvolver e ampliar seus negócios, contribuindo com o crescimento econômico e, consequentemente, com a criação de empregos, a melhoria da qualidade de vida da população e a paz social. As principais dificuldades encontradas atualmente estão no setor público, em especial nos governos que se dizem progressistas, mas que, na prática, são centralistas e corporativistas. As altas taxas de juros e a excessiva carga tributária têm sido o calcanhar de Aquiles para o desenvolvimento do país.


Os gastos públicos descontrolados e os excessivos programas sociais sem a devida contrapartida de arrecadação, provocam a necessidade, considerada cômoda por muitos setores, de ampliar a tributação para fechar as contas entre débitos e créditos. Com isso, o setor produtivo é atingido nos resultados, passando a ser tratado como vilão da economia e correndo risco de estagnação ou até mesmo de abandono das atividades no país.Paralelamente a essa política de gastar mais do que se arrecada e de adotar medidas que retiram resultados do empresariado em nome do social, não há como não atingir duas pontas principais: os produtores de matéria-prima e os consumidores finais.


Um governo centralista, com viés estatal, esquece que, para gerar impostos, é preciso ter uma economia forte e desenvolvimentista no setor privado, e não uma excessiva regulamentação que emperra e atravanca o processo produtivo. O que se vê hoje no Brasil é uma regulamentação que, muitas vezes, inibe o desenvolvimento.


Há que se reconhecer que em qualquer país existe necessidade de normas, para que todos tenham tratamento igualitário e ninguém seja privilegiado em detrimento de outros. Mas daí a impedir o progresso e o desenvolvimento há uma grande diferença.


O sistema de controle e fiscalização nas atividades econômicas é necessário, mas não ao ponto de atrapalhar o progresso, muitas vezes por simples capricho ou até represália de determinadas áreas de fiscalização, que ignoram de onde vêm os recursos para sua própria manutenção. Para ficar apenas em um exemplo, podemos citar as dificuldades no ingresso de matéria-prima ao país pela fronteira com o Paraguai. Relatos ouvidos de despachantes aduaneiros, empresários e cooperativas atestam que, em Foz do Iguaçu, são críticas as condições para entrada de grãos do Paraguai, devido aos imbróglios na alfândega brasileira.


A falta de estrutura nos órgãos públicos de controle atrasa o processo, prejudicando o acesso de produtos que internamente estimulam o setor agroindustrial na agregação de valor para atender o mercado interno e as exportações de industrializados.


Além da falta de estrutura física nos órgãos públicos de controle, a prepotência de alguns fiscais que operam na fronteira causa revolta, pois não estão preocupados com as enormes filas para liberação de cargas. Segundo relatos, muitas vezes até desdenham de quem está procurando gerar riquezas para o país.


Há necessidade urgente de mudança nesse sistema e também de comportamento, além da aplicação de mais tecnologia nos controles, reduzindo a participação humana em determinadas etapas, já que alguns, ao assumirem determinadas funções, ignoram as consequências de suas atitudes, adotando uma visão autoritária e até desumana com quem trabalha na fronteira. As normas e os controles precisam existir, mas seus operadores devem considerar que, sem movimentação econômica, nem mesmo seus salários estarão garantidos. Em um governo que prioriza gastar e não se preocupa em arrecadar dentro da realidade econômica, optando pelo aumento de impostos, não se pode esperar mudança de comportamento que ignore as deficiências existentes nas fronteiras.


Daí a necessidade de a população avaliar melhor seus representantes. Escolher alguém que pense no social, mas que entenda que sem o econômico não se faz o social em lugar nenhum. Pense nisso.


Fonte: Fecoagro

Foto: Divulgação

Comentários


bottom of page