As contradições no setor agrícola
- há 4 dias
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Por Ivan Ramos
Quando se afirma que o setor agropecuário é uma indústria a céu aberto, uma atividade em que não se pode saber se, no final do ciclo, haverá resultados positivos, muitas pessoas que não vivem o problema não acreditam e, às vezes, até questionam essas afirmativas. Sabemos quanto custa plantar, mas não sabemos por quanto será vendido. Sabe-se a época de plantar, mas fica-se à mercê do clima para saber se irá colher.
Neste momento, temos um exemplo concreto dessa situação. Na área de grãos, pelo menos em Santa Catarina, a produtividade está boa, batendo recordes no milho e na soja, mas os preços não estão compensando. A relação de troca entre insumos e grãos não fecha. Nos fertilizantes, por exemplo, desde o início do ano os preços estão elevados, se comparados aos preços dos grãos.
Menos mal para quem utilizou tecnologia de ponta, que proporcionou maior produtividade. O volume colhido compensa um pouco os custos de produção elevados. Para aqueles agricultores que costumam economizar nos insumos, o resultado é pior. Com menor tecnologia, há menos produtividade e, consequentemente, menos renda.
Os técnicos das cooperativas ou da extensão rural sempre orientam os agricultores: reduzir tecnologia não é sinônimo de economia. É preciso, isso sim, utilizar os produtos adequados, mediante análise de solo e das necessidades das plantas. Nem mais, nem menos, porque senão o barato sai caro.
Estamos nos encaminhando para os próximos plantios no sul do Brasil. É hora de avaliarmos o que devemos implementar nas lavouras. Também é sempre recomendado que não se considere apenas o valor numérico dos produtos.
É preciso considerar as entregas, ou seja, o resultado final. O que a tecnologia pode devolver em produtividade e em renda. Não se pode esperar que a soja volte a R$ 200,00 por saco, nem o milho a R$ 120,00. É preciso considerar que a outra ponta — o consumo — também depende dos grãos. Ou seja, as agroindústrias precisam da ração para produzir as carnes, e estas têm limite de preço final, tanto no mercado interno, para o consumidor, quanto nas exportações.
Há que se considerar também que ninguém planta para perder dinheiro. Temos que entender que onde há crédito também há débitos. Infelizmente, vez por outra, temos prejuízos em alguma atividade rural. Vemos neste momento o caso do arroz e do leite, que estão em crise de preços.
Quando a situação é provocada pelo mercado global, até se entende. O que não se admite é quando isso acontece por decisões governamentais que provocam distorções no mercado. Portanto, políticas agrícolas contribuem para o bem ou para o mal nas atividades agrícolas.
Não se podem adotar medidas unilaterais sem avaliar as consequências. Medidas muitas vezes tomadas por questões ideológicas ou políticas. Aí, realmente, corre-se o risco de desestruturar o setor e ampliar o problema, não apenas no campo, mas também nas cidades, pois todos consumimos alimentos.
Espera-se que os governantes adotem mais políticas de apoio a um setor que tem garantido o desenvolvimento econômico deste país. Pense nisso.
Fonte: Fecoagro
Foto: Divulgação








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