A sucessão rural em SC na ordem do dia
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Já faz tempo que se fala em Santa Catarina e no Sul do Brasil sobre a preocupação com a sucessão rural. Houve um perÃodo em que o tema dominante era o êxodo rural: famÃlias deixando as propriedades para tentar a vida nas cidades, em busca de melhores oportunidades. Com isso, ocorreu a concentração de terras — quem permaneceu no campo ampliou suas áreas adquirindo propriedades vizinhas. Muitos, porém, enfrentaram frustrações. A vida urbana mostrou-se mais dura do que o esperado, e parte dessas famÃlias retornou ao meio rural, muitas vezes motivada pelo convencimento dos jovens sucessores.
Hoje, o foco está na qualificação dos jovens para que permaneçam no campo. Para isso, é fundamental que o meio rural ofereça condições semelhantes à s dos centros urbanos: conectividade de internet, energia elétrica de qualidade, assistência técnica, educação e lazer. A sucessão rural tornou-se uma preocupação concreta. Segundo o último levantamento do IBGE, em Santa Catarina menos de 4% das propriedades rurais são geridas por pessoas com menos de 40 anos. Esse dado compromete o futuro da produção agropecuária se não houver estÃmulo efetivo à permanência dos jovens.
É nesse contexto que entram as polÃticas públicas. Além dos direitos básicos garantidos a todos, independentemente da idade, é preciso investir em educação voltada à s atividades do campo. O Governo de Santa Catarina tem apresentado iniciativas importantes nessa direção. A Epagri assumiu dois projetos estratégicos para fortalecer a sucessão rural. No ano passado, passou a gerir os Cedups — Colégios AgrÃcolas estaduais que estavam sucateados, sem perspectivas de melhoria e em declÃnio por falta de gestão operacional. Por meio de parceria entre as Secretarias de Educação e da Agricultura, a gestão foi transferida à Epagri, que deu nova estrutura aos cinco colégios distribuÃdos pelo estado. Houve investimento em equipamentos, recursos humanos, modernização das instalações e capacitação de professores, com o objetivo de formar jovens preparados para dar continuidade à s atividades agropecuárias. Atualmente, cerca de 650 estudantes frequentam esses colégios especializados e devem retornar à s propriedades com uma visão renovada do agronegócio.
Recentemente, outra iniciativa ganhou destaque: a Epagri assumiu também a gestão das Casas Familiares Rurais, que somam 11 unidades, concentradas principalmente no Oeste catarinense — principal polo de produção agropecuária do estado. Está prevista a reestruturação dessas unidades, com melhorias em infraestrutura e equipamentos, além da liberação de R$ 17,6 milhões para investimentos. A proposta amplia o sistema de formação de jovens agricultores, estimulando o empreendedorismo rural e a adoção de novas tecnologias agronômicas e de mercado, garantindo competitividade e renda.
Durante as solenidades de lançamento do projeto das Casas Familiares, com a presença do governador e de lideranças do setor, o presidente da Epagri, Dirceu Leite, detalhou os objetivos da iniciativa. A Epagri, com sua experiência consolidada em pesquisa, extensão rural e execução de polÃticas públicas, tem condições de integrar esforços com outros órgãos governamentais e fortalecer esse modelo educacional. As Casas Familiares adotam metodologia que alia teoria e prática: os estudantes alternam perÃodos de estudo coletivo com aplicação do conhecimento nas propriedades, acompanhados por técnicos especializados.
Santa Catarina, por suas caracterÃsticas fundiárias e predominância de pequenas propriedades, precisa preparar os jovens para permanecerem no campo com empreendimentos rentáveis e sustentáveis. Cooperativas, sindicatos, associações, prefeituras e demais órgãos públicos devem estimular e apoiar iniciativas como essas. A sucessão rural não é apenas uma questão familiar — é estratégica para garantir a continuidade da produção, a segurança alimentar e o desenvolvimento socioeconômico do estado. Pense nisso.
Fonte: Fecoagro
Foto: Divulgação






