A comunicação que sustenta o cooperativismo
- Editora Expressão
- 8 de dez. de 2025
- 2 min de leitura

Por que veículos segmentados são essenciais para educar, engajar e preservar a identidade do setor
Há quem acredite que a comunicação dentro do cooperativismo seja apenas um complemento, algo que se faz quando há a necessidade de comunicar algo específico. Eu discordo. Para mim, a comunicação é uma estrutura tão fundamental quanto a governança, a educação ou a intercooperação. Ela não serve apenas para divulgar notícias. Ela é capaz de sustentar o movimento, conectar as pessoas e construir sentido. A comunicação é o recurso que dá coerência àquilo que se faz todos os dias dentro das cooperativas.
É por isso que defendo o papel estratégico dos veículos de comunicação cooperativistas. Revistas setoriais, portais especializados, newsletters, boletins técnicos e programas de rádio e televisão. Todos cumprem uma função que vai além do jornalismo: noticiam e preservam a essência do setor enquanto projetam seu futuro.
Vivemos um tempo em que a informação circula em velocidade incontrolável. Nem sempre com profundidade, qualidade ou compromisso com a realidade. Nesse cenário, veículos próprios são fundamentais para filtrar, contextualizar e informar sobre o que realmente importa aos cooperados, dirigentes, lideranças e comunidade. Quando bem feitos, tornam-se referência. E referência é uma palavra poderosa no cooperativismo, porque representa confiança.
Mas há desafios, e são muitos. Manter um veículo cooperativista exige investimento, visão de longo prazo e uma equipe comprometida com exímio rigor editorial. Exige a capacidade de equilibrar institucionalidade sem abrir mão do jornalismo de qualidade, transparência com estratégia, abrangência com profundidade. Exige ainda acompanhar a digitalização acelerada: o cooperado que hoje lê a revista impressa também quer consumir conteúdos curtos no celular, vídeos explicativos, podcasts sobre mercado e newsletters que chegam no momento certo.
Por outro lado, quando uma publicação se atualiza, ela dialoga com o público e compreende sua responsabilidade de construção de uma relação sólida. Uma revista, por exemplo, registra o tempo, guarda histórias de cooperados, projetos e conquistas que transformam comunidades e regiões inteiras. Assim, se torna uma espécie de memória viva do cooperativismo.
Por isso, acredito que fortalecer os veículos especializados deve ser parte central da estratégia de comunicação das cooperativas e de seus sistemas estaduais e nacionais. Não como obrigação burocrática, mas como compromisso com a identidade do movimento.
Porque toda vez que contamos uma boa história cooperativa, reforçamos o entendimento de que esse modelo de negócio é, antes de tudo, um projeto de sociedade. E toda vez que deixamos de contar, abrimos espaço para que outros ocupem essa narrativa, nem sempre com o cuidado, a precisão ou o propósito que o cooperativismo merece.
Cabe aos nossos veículos e a todos nós que acreditamos neles, garantir que essa união siga sendo vista, registrada, compreendida e valorizada. Porque nenhum movimento se mantém forte se não cuidar da própria voz.
Andressa Recchia é jornalista, com mais de dez anos de atuação em comunicação cooperativista. Iniciou sua trajetória em 2014, no ramo saúde, e desde então não se desvinculou do cooperativismo. Atualmente, é diretora executiva da Editora Expressão e diretora de conteúdo da Revista Cooperativa.










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