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O impacto da falta de seguro rural para as cooperativas de crédito

  • 15 de jul.
  • 3 min de leitura

Para as cooperativas de crédito, a ausência de uma política robusta de seguro rural tem implicações diretas. O seguro não protege apenas a lavoura ou a renda individual do produtor. Ele também protege a qualidade das carteiras de crédito, reduz a probabilidade de inadimplência, preserva a capacidade de pagamento dos associados e diminui a necessidade de renegociações sucessivas.


Essa visão é especialmente relevante para instituições financeiras cooperativas, que atuam próximas às comunidades rurais e acompanham de forma direta os impactos econômicos de perdas climáticas sobre produtores, famílias, propriedades e economias locais. Quando uma safra é comprometida sem proteção adequada, o problema não se limita ao produtor individual. Ele alcança fornecedores, cooperativas, comércio local, arrecadação municipal e instituições financeiras.


Por isso, o seguro rural deve ser visto como parte da infraestrutura de sustentabilidade do crédito agropecuário. Sem proteção adequada, o crédito se torna mais arriscado, o produtor fica mais vulnerável e o sistema financeiro passa a operar sob maior incerteza.


A situação do Rio Grande do Sul reforça a importância dessa discussão. O Estado enfrentou nos últimos anos uma sequência de eventos climáticos severos, incluindo estiagens recorrentes e a enchente histórica de 2024. Esses episódios afetaram a produção, a renda dos produtores e a capacidade de pagamento de muitas propriedades rurais.


Nesse contexto, a ausência de uma política mais robusta de seguro rural torna-se ainda mais sensível. Para produtores gaúchos, a proteção contra perdas climáticas não é uma questão abstrata ou distante. Trata-se de uma necessidade concreta, associada à sobrevivência econômica de propriedades, à continuidade da produção e à preservação da capacidade de financiamento para ciclos futuros.


Na prática, o programa do seguro rural funciona como um indutor da contratação do seguro rural privado. Sem a subvenção, muitos produtores deixam de contratar apólices ou reduzem o nível de cobertura, especialmente em regiões e culturas mais expostas a riscos climáticos. Por isso, o programa tem papel estratégico não apenas para proteger a produção agrícola, mas também para preservar a renda do produtor, reduzir a inadimplência e dar maior estabilidade ao crédito rural.


Produtores, seguradoras, cooperativas e instituições financeiras precisam saber, antes do início da safra, quais recursos estarão disponíveis, quais culturas serão contempladas, quais percentuais de subvenção serão praticados e qual será a capacidade real de atendimento do programa. Quando essa previsibilidade não existe, a contratação do seguro se torna mais incerta, a proteção financeira da atividade rural diminui e o risco retorna para o próprio produtor, para as instituições financeiras e, em última instância, para o governo, que frequentemente é chamado a atuar por meio de renegociações extraordinárias, prorrogações de dívidas e medidas emergenciais.


A discussão exige distinguir os diferentes mecanismos de proteção da atividade rural. O seguro rural privado é contratado pelo produtor junto a seguradoras habilitadas e pode ou não contar com subvenção do PSR. Já o Proagro e o Proagro Mais são instrumentos públicos de garantia vinculados ao crédito rural, operados por meio dos agentes financeiros e voltados à cobertura de perdas em operações enquadradas. Há ainda o Garantia-Safra, direcionado a agricultores familiares em regiões sujeitas a perdas decorrentes principalmente de seca ou excesso hídrico.


Essa distinção é importante porque avanços em um mecanismo não substituem a necessidade de fortalecimento dos demais. O Proagro é essencial para determinados públicos e operações de crédito, mas não equivale a uma política ampla de seguro rural privado. O seguro subvencionado, por sua vez, permite ampliar a cobertura securitária para diferentes culturas, regiões e perfis de produtores, funcionando como instrumento complementar e indispensável de gestão de risco.


Fonte: Portal do Cooperativismo de Crédito

Foto: Canva

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